A família de softwares ISIS

Neste item, queremos fazer uma breve introdução, de forma mais ampla, à “família de software ISIS”, à qual pertence o ABCD. Tal como acontece com todas as “famílias”, os membros compartilham uma série de características, mas não todas.

As características comuns da família ISIS, referem-se à maneira como as informações (de natureza textual) são armazenadas e gerenciadas, colocando-as em campos repetitivos de tamanho variável, com possibilidade de subdivisão de campos em subcampos. Os campos são, de fato, pares de um ID de campo (uma “tag”) combinado com um valor de campo (um texto, ou na mais recente geração ISIS, qualquer objeto, como por exemplo, “objetos binários grandes” ou bolhas). Além de características tecnológicas comuns, a maioria, se não todas as partes integrantes da família ISIS, também compartilham características “sociais”, por exemplo:

  • ser utilizada principalmente nos Países em Desenvolvimento ou “o Sul”, por exemplo, com uma presença muito forte na América Latina, mas também – mais do que pode ser “medido” em todos os tipos de centros de informação de pequeno porte, muitas vezes desprovidos, não conectados (sem Internet) na África e na Ásia;
  •  sendo promovido por muitos membros e projetos das Nações Unidas, é claro antes de tudo em ambientes UNESCO, mas – como mostra o exemplo da BIREME – também a OMS e a FAO (o AGRIS e ASFISIS, sistemas da FAO podem ser dados como exemplos aqui, como também a origem do sistema de bibliotecas WEBLIS). As Nações Unidas IFAP e os programas da “Sociedade do Conhecimento” não deveriam subestimar o quanto de impacto real vem das ferramentas de informação promovidas pela UNESCO como o ISIS, IDAMS, Greenstone, etc. – às vezes até indicando que o impacto pode ser o inverso da dada entrada financeira ou publicidade. A ilustração a seguir resume a família completa até o momento.
A família de softwares CDS/ISIS

Podemos resumir a história, considerando que a “família” agora tem 4 gerações, enquanto que a 5 ª geração está sendo preparada:

  • A primeira geração: CDS/ISIS e Micro-ISIS;
  • A segunda geração: interfaces enriquecidas ISIS/Pascal, ferramentas CISIS;
  • A terceira geração: multimídia gráfica e multi-base de dados: WinISIS, ISISDLL;
  • A quarta geração: habilitada para WWW (versões WWWISIS, isis3w, OpenIsis).

Do ponto de vista de algumas grandes mudanças tecnológicas introduzidas na nova geração a partir de 2008, talvez devêssemos considerar os mais novos membros ISIS (J-ISIS e ISIS NBP) como representantes de uma nova 5ª geração.

Alguns destaques de cada geração são dados abaixo.

1975 – A primeira geração

1975

  • CDS/ISIS na Organização Internacional do Trabalho (OIT) o “Centralised Documentation System” fundiu-se com o “Integrated Set of Information Services” que rodava no VAX OS em mainframes (computadores de grande porte).

1985

  • Micro-ISIS G. Del Bigio se une com UNESCO e cria a versão baseada em PC-DOS e integra funções separadas em uma interface geral customizável, multilíngue baseada em menu, com documentação completa, como Versão 2.3 Versão 3.0 – 3.8: multi-usuário em rede, versão UNIX ISIS/Pascal, para UNIX OS baseado em Intel. Distribuição mundial e de enorme sucesso nos Países em Desenvolvimento.

1985 – A segunda geração

  • “add-ons” programados em ISIS/Pascal  (por exemplo, Heurisko, ADEM, Iris e ODIN, LAMP) criam ferramentas ricas, por exemplo, IRBIS (Rússia) para bibliotecas, a FAO utiliza ISIS para seu sistema AGRIS e ODIN/IRIS extensões para o seu sistema ASFISIS;
  • Bireme/OPS (OMS Brasil) cria ferramentas CISIS, uma suíte para gerenciamento de bases de dados em linha comando, usando-a para suas enormes bases de dados de informação em saúde na Internet, que são multi-plataforma (rodam em Unix/Linux e DOS).

1995 – A terceira geração

  • UNESCO produz a versão Windows: WinISIS, com muitos recursos gráficos, multimídia e multi-base de dados;
  • Sistemas completos de automação de bibliotecas podem ser e são desenvolvidas, por exemplo, Purna (Índia);
  • Outras bibliotecas começam a usar o ISIS para automação completa de bibliotecas, por exemplo SNAL (Tanzânia) usa o sistema de bibliotecas ODIN/IRIS baseado em rede para sua biblioteca universitária;
  • Bireme distribui uma versão de servidor web do ISIS como “WWWISIS”, executado em ambos DOS/Windows e UNIX/Linux, muitos aplicativos são desenvolvidos JavaISIS (Itália) e isis3w (Polônia), acrescentados à família.

2005 – A quarta geração

  • Avançadas ferramentas baseadas na Web propiciam novos desenvolvimentos: GENISIS (França), que permite a criação fácil de interfaces Web de pesquisa;
  • WEBLIS (Polônia/FAO) é um avançado sistema web “full-fledged” de automação de bibliotecas;
  • Bireme desenvolve WXIS e adiciona XML para ISIS;
  • Sistemas de bibliotecas baseados em WXIS são desenvolvidas na América Latina (por exemplo, OpenMarcoPolo);
  • OpenIsis (Alemanha) cria a primeira versão totalmente Open Source (servidor web, PHP), mas segue seu próprio caminho (Malete, Selene).

2008 – A quinta geração

  • UNESCO desenvolve uma interface gráfica baseada em Java completamente nova “J-ISIS”, usando não apenas tecnologia Java, mas também os BD Berkeley embutido para a camada de armazenamento. Este projeto é totalmente orientado pelo projeto FOSS (software livre);
  • BIREME desenvolve ABCD e – ao mesmo tempo – uma tecnologia totalmente nova para os seus futuros produtos: ISIS: ISIS/NBP. ABCD pretende ser a primeira aplicação a ser migrada para NBP.

NBP ou “Network Based Platform” é a nova tecnologia ISIS com as características principais:

  • arquitetura flexível, na qual “células ISIS” irão se comunicar, através de protocolos conhecidos, com diversas plataformas e interfaces; células ISIS também irão permitir a utilização de modelos diferentes de armazenamento, visto que estes estarão contidos dentro das células, mas elas se comportam da mesma maneira padronizada no sentido da tecnologia externa utilizada;
  • bases de dados ISIS não terão mais limitações obsoletas em termos de tamanho de base de dados, registros e campos;
  • bases de dados ISIS serão compatíveis com Unicode;
  • a indexação será feita utilizando outros indexadores de texto completo FOSS como Lucene (da Apache Software Foundation).

ISIS está sendo usado por dezenas de milhares de usuários, principalmente nos países em desenvolvimento onde é promovido pela UNESCO e BIREME (principalmente para a América Latina). Na América Latina ISIS é fortemente representado nas bibliotecas e centros de documentação (tem uma “posição dominante” mesmo aqui), na África e Sudoeste da Ásia há um número desconhecido, mas elevado de usuários, muitos destes não conectados à Internet e, portanto, ainda usando tecnologia mais antiga e com habilidades relativamente pobres em TIC. Isso cria um desafio especial para o suporte da comunidade de usuários.

No 3 º Congresso Mundial de ISIS (Rio de Janeiro, Brasil, setembro de 2008), a Comunidade de Usuários decidiu tornar ISIS plenamente “software livre” e coordenado por um “International Coordination Committee on ISIS (ICCI)”, veja: http://portal.unesco.org/ci/en/ev.php-URL_ID=27760&URL_DO=DO_TOPIC&URL_SECTION=201.html.

Resumindo a longa história de ISIS, pode-se dizer que o ISIS combina muito bem os princípios de base de dados “textuais” básicos, uma forte tradição, e uma comunidade mundial de usuários, mas insuficientemente coordenado, sem um moderno estado-da-arte do desenvolvimento tecnológico.

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