Objetivos do ABCD

ABCD visa proporcionar uma ferramenta integrada de gestão de bibliotecas que abranja todas as principais funções de uma biblioteca, ou seja, aquisição, gestão de dados bibliográficos, gestão de usuários, gestão de empréstimo, controle de periódicos, pesquisa para usuário final em bases de dados bibliográficas locais e externos e portal da biblioteca. Não é a primeira vez na história e ambiente ISIS em que tal esforço tem sido empreendido. Open MarcoPolo, Clabel e – como um esforço mais avançado – WEBLIS são antecessores para o ABCD neste sentido.

ABCD como uma ferramenta bibliográfica genérica e flexível

Como o próprio nome sugere, ABCD visa, no entanto, não apenas fornecer uma solução para bibliotecas, mas também para centros de documentação. Estes geralmente têm necessidades ligeiramente diferentes, por exemplo, têm mais coleções especializadas, maiores necessidades de conteúdo de divulgação (por exemplo, fornecendo resumos, utilizando tesauro, etc.) e requerem uma maior flexibilidade nas estruturas bibliográficas. Por esta razão ABCD não só tentou incluir funcionalidades de texto completo, mas foi concebido para oferecer uma solução mais aberta, permitindo que seja criada qualquer estrutura de campos e mantida no mesmo software. Através da tecnologia de base de dados ISIS em si, que é bastante flexível e não restritivo, estruturas bibliográficas podem ser criadas sem a necessidade de “normalizar” todos os elementos em uma série de tabelas ou relações (como é o caso da tecnologia de bancos de dados relacionais) e, na maioria dos casos, todos os elementos bibliográficos podem estar contidos em uma única base de dados – apenas para fins de otimização, ISIS pode esperar que seja implementada alguma abordagem semi-relacional como um sistema de bibliotecas. ABCD vem pré-configurado para algumas das principais normas bibliográficas, ou seja, MARC21, CEPAL e AGRIS. Mas repito: os mesmos mecanismos de interface e os formulários podem ser usados para criar e manter qualquer estrutura, seja bibliográfica ou não. Então, a fim de colocar os objetivos um pouco mais precisos: ABCD visa proporcionar uma ferramenta muito genérica/generalizável para gerenciamento de bibliotecas e centros de documentação.

ABCD como uma ferramenta orientada para bibliotecários

Outro objetivo específico do ABCD é oferecer uma ferramenta para bibliotecários, em vez de técnicos de TIC. Isto é alcançado utilizando princípios de biblioteconomia e ciência da informação (em vez de princípios de computador ou de programação) como ponto de partida, mesmo na concepção das próprias bases de dados. Normalmente um registro bibliográfico é uma entidade real em uma base de dados ISIS, e não uma complicada série de elementos agregados através de “query” ou “join” a partir de várias tabelas (como em sistemas relacionais), porém preservando critérios como eficiência (na utilização de espaço, velocidade de operação). Cada entidade poderá posteriormente ser minuciosamente “moldada” pelos próprios bibliotecários com a utilização da Linguagem de Formatação ISIS (LF), que permite lidar com todos os elementos de uma entidade (por exemplo, uma substring de um subcampo de uma ocorrência de um campo específico ao nível de micro-detalhe) sem uma verdadeira programação – mesmo quando a LF permite certo grau de lógica de programação como “loop” e condições aninhadas – para a criação de qualquer formato de saída. Esta saída pode ser qualquer coisa como uma chave de ordenação, uma chave de indexação, um formato de tela ou – como é o caso, por exemplo, dados ISIS do ABCD embutidos em páginas web, ou qualquer outra linguagem, tais como XML. Muitas experiências de ensino com ISIS demonstram que bibliotecários são perfeitamente capazes de compreender e usar tudo isso, alcançando resultados avançados sem uma verdadeira programação.

ABCD como uma ferramenta para países em desenvolvimento

ABCD visa fornecer a bibliotecários e profissionais da informação nos países em desenvolvimento uma ferramenta muito poderosa, que, no entanto, leve em conta algumas realidades específicas, tais como :

  • baixa disponibilidade de competências em TIC: assim como com soluções anteriores baseadas em ISIS, bibliotecários são – em princípio – habilitados a resolver os seus problemas, evitando arquiteturas desnecessárias de software, permitindo mesmo assim flexibilidade dentro do software (por exemplo, através da Linguagem de Formatação);
  • baixa disponibilidade de banda larga e conectividade: usando modernas técnicas web, tais como AJAX e JavaScript, o tráfego de dados entre cliente e servidor é mantido no mínimo, permitindo ao computador local (“client-side”) processar os dados, tanto quanto possível, sem se referir sempre ao servidor, também o design gráfico é mantido bastante sóbrio, pela mesma razão.

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